
Em se tratando de compositores de trilhas sonoras, sempre me perguntei se existe ou existiu alguém que se dava ao luxo de escolher com qual diretor gostaria de trabalhar e ainda por cima não cedia às exigências dos tresloucados de Hollywood. Este alguém existiu e se chamava Bernard Hermann.
Hermann trabalhou com gente do calibre de Alfred Hitchcock ( com quem fez uma parceria genial e tinha uma relação de amor e ódio), Brian de Palma, Orson Welles, Martin Scorsese, François Truffaut e uma porrada de outras feras do cinema. Apesar de trabalhar com essas estrelas, Hermann tinha a seguinte filosofia: “Eu tenho a palavra final ou eu não faço a música. A razão para insistir sobre isso é simples: comparado a Orson Welles , um homem de grande cultura musical, a maioria dos outros diretores são apenas criancinhas na floresta e se você fosse seguir o seu gosto, a música seria terrível”.
O novaiorquino Hermann tinha moral para dizer isso. Aos treze anos decidiu concentrar-se na música, e foi para New York University , onde estudou com Percy Grainger e Philip James, ingressando posteriormente na Juilliard School. Com vinte anos formou sua própria orquestra, The New Chamber Orchestra of New York .
Em 1934, ingressou na Columbia Broadcasting System ( CBS ) tornou-se mais tarde regente da Orquestra Sinfônica CBS . Foi na CBS que teve contato com Orson Welles o que rendeu uma parceria de sucesso nas novelas radiofônicas e migrando posteriormente para o cinema. Criou as trilhas sonoras de Cidadão Kane (1941) e Soberba (1942) e O Diabo e Daniel Webster (1941), pelo qual ganhou seu único Oscar . Fez muitos trabalhos para TV, tendo como destaque a música de Twilight Zone, que aqui no Brasil ficou conhecido com “Além da imaginação”.
Foi em 1955 que teve início a parceria com Hitchcock, assinando todas as trilhas sonoras de seus filmes. Essa parceria foi até a década de 60 quando os dois se desentenderam, pois Hitchcock achava que a música de Hermann ficara um tanto “antiquada” e solicitou mudanças na trilha sonora do filme Torn Curtain. Hermann é claro, não gostou, mas aparentemente teria acatado o desejo do diretor, comprometendo-se a fazer o que havia sido pedido.
Entretanto, fez uma trilha sonora de acordo com suas próprias idéias e ainda por cima disse coisas não muito agradáveis aos ouvidos do cineasta. O velho Hitch não gostou e tornou-se seu desafeto. Sabe-se que Hitchcock levou essa rusga para o túmulo, pois nunca perdoou Hermann.
Hermann morreu em 1976, não sem antes desfrutar de outro sucesso envolvendo a trilha sonora do filme Taxi Driver, de Brian de Palma.
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Postado por: Erickblog - http://ericknews.blogspot.com/2010/04/bernard-hermann.html





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