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BERNARD HERMANN

abril 13th 2010 | Posted by Edu

Em se tratando de compositores de trilhas sonoras, sempre me perguntei se existe ou existiu alguém que se dava ao luxo de escolher com qual diretor gostaria de trabalhar e ainda por cima não cedia às exigências dos tresloucados de Hollywood. Este alguém existiu e se chamava Bernard Hermann.

Hermann trabalhou com gente do calibre de Alfred Hitchcock ( com quem fez uma parceria genial e tinha uma relação de amor e ódio), Brian de Palma, Orson Welles, Martin Scorsese, François Truffaut e uma porrada de outras feras do cinema. Apesar de trabalhar com essas estrelas, Hermann tinha a seguinte filosofia: “Eu tenho a palavra final ou eu não faço a música. A razão para insistir sobre isso é simples: comparado a Orson Welles , um homem de grande cultura musical, a maioria dos outros diretores são apenas criancinhas na floresta e se você fosse seguir o seu gosto, a música seria terrível”.

O novaiorquino Hermann tinha moral para dizer isso. Aos treze anos decidiu concentrar-se na música, e foi para New York University , onde estudou com Percy Grainger e Philip James, ingressando posteriormente na Juilliard School. Com vinte anos formou sua própria orquestra, The New Chamber Orchestra of New York .

Em 1934, ingressou na Columbia Broadcasting System ( CBS ) tornou-se mais tarde regente da Orquestra Sinfônica CBS . Foi na CBS que teve contato com Orson Welles o que rendeu uma parceria de sucesso nas novelas radiofônicas e migrando posteriormente para o cinema. Criou as trilhas sonoras de Cidadão Kane (1941) e Soberba (1942) e O Diabo e Daniel Webster (1941), pelo qual ganhou seu único Oscar . Fez muitos trabalhos para TV, tendo como destaque a música de Twilight Zone, que aqui no Brasil ficou conhecido com “Além da imaginação”.

Foi em 1955 que teve início a parceria com Hitchcock, assinando todas as trilhas sonoras de seus filmes. Essa parceria foi até a década de 60 quando os dois se desentenderam, pois Hitchcock achava que a música de Hermann ficara um tanto “antiquada” e solicitou mudanças na trilha sonora do filme Torn Curtain. Hermann é claro, não gostou, mas aparentemente teria acatado o desejo do diretor, comprometendo-se a fazer o que havia sido pedido.

Entretanto, fez uma trilha sonora de acordo com suas próprias idéias e ainda por cima disse coisas não muito agradáveis aos ouvidos do cineasta. O velho Hitch não gostou e tornou-se seu desafeto. Sabe-se que Hitchcock levou essa rusga para o túmulo, pois nunca perdoou Hermann.

Hermann morreu em 1976, não sem antes desfrutar de outro sucesso envolvendo a trilha sonora do filme Taxi Driver, de Brian de Palma.

 

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Postado por: Erickblog - http://ericknews.blogspot.com/2010/04/bernard-hermann.html

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